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Posso me aposentar no Brasil morando no Canadá? Entenda seus direitos e riscos

Quando a Ana desembarcou no Canadá, há sete anos, seu foco era claro: estudar inglês, conseguir um bom emprego e construir uma nova vida.

 

No começo, ela nem pensava em aposentadoria. “Isso é coisa para o futuro, agora preciso me adaptar”, dizia para si mesma.

 

Os meses viraram anos e, no meio da correria entre trabalho e estudos, ela deixou de contribuir para o INSS no Brasil. Afinal, pensava que, morando fora, isso não fazia mais sentido.

 

O problema é que Ana não sabia que estava perdendo algo muito valioso: a qualidade de segurada. Sem ela, deixava de ter direito a benefícios importantes como aposentadoria por invalidez, auxílio-doença e até pensão por morte para seus dependentes no Brasil.

 

A ficha caiu quando, conversando com uma amiga, descobriu que poderia ter mantido suas contribuições como segurada facultativa, mesmo morando no exterior. E mais: que o tempo trabalhado no Brasil e no Canadá poderia ser somado para fins de aposentadoria, graças ao Acordo Previdenciário entre os dois países.

 

Foi então que ela decidiu buscar orientação com uma advogada previdenciarista. Juntas, revisaram todo o histórico contributivo, regularizaram pendências e criaram um plano de contribuição que cabia no orçamento da Ana, garantindo que, mesmo vivendo no Canadá, ela continuasse protegida pelo INSS.

1. Quais direitos o brasileiro morando no exterior mantém?

 

Mesmo morando no Canadá, se você continua contribuindo para o INSS, mantém o direito aos benefícios programáveis e não programáveis.

 

Benefícios programáveis:

 

Dependem de tempo de contribuição e idade, como:

 

  • Regras de transição: pedágio de 50% e 100%, idade mínima progressiva e regra de pontos

  • Aposentadoria por idade

  • Aposentadorias especiais, como para pessoa com deficiência (PCD)

 

Benefícios não programáveis:

 

Podem ser acionados em situações inesperadas, como:

 

  • Auxílio-doença (incapacidade temporária)

  • Salário-maternidade

  • Aposentadoria por invalidez (incapacidade permanente)

  • Pensão por morte para dependentes

 

Imagine ter deixado no Brasil mais de 10 anos de contribuição e, por ter parado de pagar, seus dependentes não terem direito à pensão em caso do seu falecimento. Esse é um prejuízo grande e irreversível. Por isso, é fundamental manter suas contribuições em dia.

2. Como contribuir da forma correta?

 

Se você mora no Canadá, pode contribuir como segurado facultativo no INSS, escolhendo entre duas formas principais:

 

Código 1473 – Facultativo  (11%)

  • Contribuição: 11% sobre o salário mínimo (R$ 1.518,00 em 2025)

  • Direito: aposentadoria por idade (62 anos mulher / 65 anos homem)

  • Valor do benefício: 1 salário mínimo

 

Código 1007 – Contribuinte Facultativo (20%)

  • Contribuição: 20% sobre um valor entre o salário mínimo e o teto do INSS

  • Direito: acesso a todas as modalidades de aposentadoria (idade, transição, pontos, pedágios, PCD etc.)

  • Valor do benefício: pode ser superior ao mínimo, conforme o valor pago

 

Em resumo: se o objetivo é apenas manter o direito à aposentadoria por idade, pode optar pelo código 1473. Mas se busca uma aposentadoria mais vantajosa, com possibilidade de valores maiores e regras diferenciadas, a opção ideal é o código 1007.

3. E o tempo que paguei no Canadá, como fica?

 

Graças ao Acordo Internacional de Previdência Social entre Brasil e Canadá, o tempo de contribuição em cada país pode ser somado (totalizado) para garantir o direito ao benefício.

 

Exemplo prático:

  • Se você trabalhou 10 anos no Brasil e 5 no Canadá, poderá somar os dois períodos para atingir 15 anos no total e se aposentar por idade

  • Cada país pagará a aposentadoria proporcional ao tempo de contribuição em seu sistema (regra pró-rata)

 

Benefícios previstos no acordo, pagos pelo INSS (Brasil):

  • Aposentadoria por idade

  • Aposentadoria por invalidez

  • Pensão por morte

 

Atenção: o valor do benefício pago pelo Brasil pode ser inferior ao salário mínimo se o tempo de contribuição no país for pequeno. Já no Canadá, valem as regras próprias de cálculo previstas na legislação local.

 

Cabe frisar que esse tempo só pode ser aproveitado para a aposentadoria por idade. Assim, se você tem mais de 20 anos de contribuição no Brasil e pensa em parar de pagar esperando compensar com o tempo do Canadá em uma regra anterior à idade, terá prejuízo. Nessas regras, o tempo canadense não será considerado.

4. É possível receber duas aposentadorias: uma no Brasil e outra no Canadá?

 

Sim, desde que você cumpra os requisitos exigidos em cada país de forma independente, é possível receber dois benefícios distintos: um pelo INSS no Brasil e outro pelo regime previdenciário canadense.

 

O Acordo Previdenciário entre Brasil e Canadá também permite totalizar os períodos de contribuição para fins de aposentadoria caso o trabalhador não tenha cumprido, isoladamente, o tempo mínimo exigido em um dos países. Ou seja, se você não tiver o tempo suficiente no Brasil para se aposentar, pode somar o tempo do Canadá para alcançar esse requisito e o mesmo vale no sentido inverso.

 

No entanto, se você tiver tempo suficiente nos dois países de forma separada, poderá se aposentar em ambos os sistemas, com dois benefícios distintos.

 

É importante compreender que:

 

  • Cada país pagará de forma proporcional ao tempo de contribuição realizado em seu território.

  • A totalização só é usada quando o tempo em um dos países não é suficiente para gerar o benefício por si só.

  • Mesmo quando há totalização, cada país calcula e paga apenas a parte que lhe corresponde, conforme suas próprias regras de cálculo.

 

Exemplo prático:

 

Um brasileiro trabalhou 20 anos no Brasil e 10 anos no Canadá. Ao atingir a idade mínima:

 

  • Poderá se aposentar integralmente no Brasil, se atender aos requisitos nacionais, sem precisar usar o tempo do Canadá.

  • Poderá também se aposentar no Canadá, com base nos 10 anos lá trabalhados, conforme a legislação local.

  • Caso não tivesse os 15 anos mínimos exigidos no Brasil, poderia somar os 10 do Brasil com os 5 do Canadá, garantindo o direito ao benefício proporcional por idade.

 

Assim, o planejamento adequado permite identificar se é vantajoso buscar duas aposentadorias separadas, ou se será necessário usar o acordo para complementar o tempo em um dos países.

5. A importância do planejamento previdenciário

 

Cada caso é único. O valor e a forma da sua aposentadoria vão depender do seu histórico contributivo no Brasil, do tempo trabalhado no exterior e da estratégia adotada para seguir contribuindo.

 

Um planejamento previdenciário especializado pode fazer toda a diferença, pois permite:

 

  • Revisar seu histórico de contribuições

  • Identificar lacunas ou inconsistências no CNIS

  • Indicar a melhor forma de contribuição morando no exterior

  • Simular o valor estimado do benefício

  • Escolher a regra mais vantajosa de aposentadoria

  • Garantir que você e seus dependentes estejam protegidos

 

Exemplo prático: o caso do Ivan

 

Ivan tem 44 anos, morou e trabalhou no Brasil por 10 anos e, atualmente, vive no Canadá, onde já acumula mais de 5 anos de contribuição ao sistema previdenciário local.

 

Ele procurou orientação porque queria se aposentar no Brasil, gastando o mínimo possível. Acreditava que, para ter um bom benefício, precisaria contribuir sobre o teto do INSS até a aposentadoria.

 

No planejamento previdenciário, Ivan descobriu quatro caminhos possíveis, com custos e resultados bastante diferentes:

 

Caminho 1: pagar sobre o teto do INSS até 2046

  • Contribuição mensal: R$ 1.631,48

  • Benefício estimado: R$ 6.000,00

  • Custo total com as contribuições: R$ 400.000

  • Desvantagem: alto custo e retorno financeiro inferior aos demais cenários

 

Caminho 2: contribuir a cada 3 meses sobre o teto até 2046

  • Custo total: R$ 135.000

  • Benefício estimado: R$ 5.000,00

  • Vantagem: mantém a qualidade de segurado, alcança os 15 anos mínimos de contribuição no Brasil e se aposenta apenas com tempo nacional, sem depender do tempo canadense

 

Caminho 3: contribuir a cada 3 meses sobre 1 salário-mínimo até 2046

  • Custo total: R$ 8.182,02

  • Benefício estimado: R$ 3.600,00

  • Por que esse valor ainda é alto? Porque Ivan já tinha uma média elevada de contribuições no período anterior no Brasil. Mesmo com contribuições mínimas agora, sua média final se mantém razoavelmente alta

 

Caminho 4: não retomar as contribuições e usar os 5 anos do Canadá

  • Custo: zero

  • Benefício estimado: R$ 3.000,00 (proporcional)

  • Detalhe importante: o valor ainda é vantajoso por conta da média alta e do maior tempo de contribuição no Brasil em relação ao Canadá

 

Conclusão do caso

 

Ivan percebeu que existiam alternativas mais inteligentes e econômicas do que contribuir no teto até a aposentadoria. Com planejamento, ele pôde comparar cenários reais, avaliar o custo-benefício e escolher a estratégia mais vantajosa para o seu perfil e orçamento.

 

Morar no exterior não significa abrir mão da sua aposentadoria no Brasil. Mas fazer as escolhas certas depende de informação e planejamento adequado.

6 - Quer saber qual é o melhor caminho para a sua aposentadoria?

 

Assim como a Ana e o Ivan, muitos brasileiros que vivem fora do país não sabem que podem e devem proteger seus direitos previdenciários no Brasil.

 

Um bom planejamento pode evitar prejuízos, garantir segurança para sua família e até economizar dezenas de milhares de reais em contribuições desnecessárias.

 

Se você mora no exterior e quer entender qual é a melhor estratégia para se aposentar no Brasil, entre em contato e agende uma análise previdenciária personalizada.

 

Você receberá:

 

  • Diagnóstico completo do seu histórico contributivo

  • Simulações de diferentes cenários de aposentadoria

  • Recomendação clara e objetiva da melhor estratégia

  • Orientação sobre contribuições, prazos e documentos

 

 

Jerusa Prestes - OAB/RS 86.047

Advogada especialista em Direito Previdenciário

Um abraço e até a próxima!

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